Páginas

quinta-feira, agosto 01, 2013

Uma entrevista perturbadora: o gás do xisto substituirá o petróleo?

Eu sempre fui aberto no campo relativamente às ciências. Esse debate entre aquecimento e resfriamento global é complexo e - via de regra - sinto-me sem condições teóricas de acompanhar o nível das reflexões.

Domingo a noite, a partir da meia noite, assisti a entrevista com o climatologista Luiz Carlos Molion. Sinto-me fragilizado e empobrecido diante de tantas informações. Odeio sentir-me néscio. Mas foi assim que me senti ouvindo os detalhes da entrevista, que teve pontos altos e complexos; cito a afirmação do professor Molion sobre a queda do petróleo e a ascensão do gás do xisto, que derá um novo impulso à economia americana e proporcionará aos EEUU uma ruptura com a dependência do petróleo do oriente médio. Ademais, o Professor Molion foi muito detalhista na explicação da exploração e uso desse novo combustível que deve mudar a face da indústria petrolífera nos próximos anos, a curto espaço de tempo.

O ATAQUE RADICAL AS ENERGIAS EÓLICAS

Nessa entrevista, que pode ser assistida, clicando aqui, o climatologista fez um duro ataque ao emprego da energia eólica, que segundo ele, já está superada pelas mudanças tecnológicas em curso e também pela inviabilidade da relação dos ventos com os picos de consumo. Foi o ataque mais demolidor que eu já contra a energia eólica.


Edições anteriores

Canal Livre discute mudanças climáticas - Parte 5...

29 Jul

Canal Livre discute mudanças climáticas - Parte 4...

29 Jul

Canal Livre discute mudanças climáticas - Parte 3...

29 Jul

Canal Livre discute mudanças climáticas - parte 2...

29 Jul

Canal Livre discute mudanças climáticas - Parte 1...

29 Jul
 Informações complementares aos leitores do blog. clique em "mais informações" e siga lendo!
 

15/07/2012 -

Estados Unidos estão perto de obter a independência energética

Exploração do gás do xisto dá novo impulso à economia americana e pode deixar o país menos vulnerável à política do Oriente Médio

JOSEPH NYE , PROJECT SYNDICATE – O Estado de S.Paulo

Quando o presidente Richard Nixon proclamou, no início dos anos 70, que queria assegurar a independência energética nacional, os Estados Unidos importavam um quarto do seu petróleo. No fim da década, após um embargo ao petróleo árabe e a Revolução Iraniana, a produção doméstica estava em declínio, os americanos estavam importando metade de suas necessidades de petróleo a um preço 15 vezes maior, e era aceito que o país estava ficando sem gás natural.
Os choques de energia contribuíram para uma combinação letal de crescimento com inflação, e cada presidente americano, desde Nixon, proclamou a independência energética como uma meta. Mas poucos levaram a sério essas promessas.
Hoje, especialistas em energia não caçoam mais. No fim desta década, segundo a Agência de Informação sobre Energia (EIA) dos Estados Unidos, quase metade do petróleo bruto que os EUA consomem será produzida em casa, enquanto 82% virão do lado americano do Atlântico. Philip Verleger, um respeitado analista do setor de energia, argumenta que, até 2023, o 50.º aniversário do “Projeto de Independência” de Nixon, os EUA serão independentes em energia no sentido de que exportarão mais energia do que importarão.
Verleger argumenta que a independência energética “poderia fazer deste o Novo Século Americano ao criar um ambiente econômico em que os Estados Unidos gozam de acesso a suprimentos de energia a um custo mais baixo que outras partes do mundo”. Os europeus e asiáticos já pagam 4 a 6 vezes mais que os americanos pelo seu gás natural.
O que houve? A tecnologia de perfuração horizontal e fraturamento hidráulico, pela qual o xisto e outras formações rochosas duras em grandes profundidades são bombardeados com água e químicos, libertou grandes suprimentos novos de gás natural e petróleo. A indústria americana de gás de xisto cresceu 45% por ano de 2005 a 2010, e a participação do gás de xisto na produção total de gás dos EUA cresceu de 4% para 24%.
Gás para um século. Os EUA possuem estimadamente gás suficiente para sustentar sua taxa de produção atual por mais de um século. Apesar de muitos outros países também terem um potencial considerável de gás de xisto, existem problemas abundantes que incidem na sua exploração como a escassez de água na China, a segurança dos investimentos na Argentina, e as restrições ambientais em vários países europeus.
A economia americana se beneficiará de inúmeras maneiras de sua mudança de abastecimento energético. Centenas de milhares de empregos já estão sendo criados, alguns em regiões remotas desde há muito mergulhadas na estagnação. Essa atividade econômica adicional intensificará o crescimento geral do Produto Interno Bruto, acarretando um aumento expressivo da arrecadação fiscal. De mais a mais, a conta mais baixa na importação de energia reduzirá o déficit comercial do país e melhorará a situação de seu balanço de pagamentos. Alguns setores americanos, como o de químicos e plásticos, ganharão uma considerável vantagem competitiva em custos de produção.
Como respeito à mudança climática, porém, os efeitos da maior dependência do gás de xisto são irregulares. Como a combustão de gás natural produz menos gases do efeito estufa do que outros hidrocarbonetos, como carvão ou petróleo, ela pode ser uma ponte para um futuro com menos emissão de carbono. Mas o preço baixo do gás impedirá o desenvolvimento de fontes de energia renováveis a menos que venha acompanhado por subsídios ou impostos sobre o carbono.
Neste estágio, só se pode especular sobre os efeitos geopolíticos. O fortalecimento da economia americana claramente robusteceria o poder econômico americano – um cenário que vai na contra mão dos que retratam um declínio dos EUA.
Mas não se devem tirar conclusões precipitadas. O equilíbrio das importações e exportações de energia é apenas uma primeira aproximação da independência. Como argumento em meu livro The Future of Power (O Futuro do Poder), a interdependência global envolve tanto sensibilidade como vulnerabilidade. Os EUA podem ser menos vulneráveis no longo prazo se importarem menos energia, mas o petróleo é uma commodity fungível, e a economia americana permanecerá sensível a choques de mudanças súbitas nos preços mundiais.
Em outras palavras, uma revolução na Arábia Saudita ou um bloqueio do Estreito de Ormuz ainda poderiam causar da danos aos EUA e seus aliados. Portanto, mesmo que os EUA não tivessem outros interesses no Oriente Médio, como Israel ou a não proliferação nuclear, seria improvável que um equilíbrio das importações e exportações de energia livrasse os EUA de gastos militares – que alguns especialistas calculam que poderão chegar a US$ 50 bilhões anuais – para proteger rotas de petróleo na região.
Ao mesmo tempo, a posição de barganha dos EUA na política mundial deve ser fortalecida. O poder decorre de assimetrias na interdependência.
Durante décadas, os EUA e a Arábia Saudita tiveram um equilíbrio de assimetrias em que nós dependemos dela como uma grande produtora de petróleo e ela depende de nós para a segurança militar em última instância. Agora, as barganhas serão alcançadas em termos um pouco melhores do ponto de vista dos EUA. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK